Monday, November 17, 2008

De cara escondida, imagino-te.




Não te vejo e já pouco te falo.
Já não sei o que dizes quando acordas de manhã.
Mas imagino-te.
Imagino-te tão bem.
És a imagem que me segue a cada passo que dou.
És o cheiro a que cheira tudo o que cheiro.
És tudo o que eu quero ter e não te sinto.
Não tás aqui nem ali.
Mas eu imagino-te.
Quero dizer-te, imagem que me segue, que não és como te pinto.
Acho que não o és.
Já me habituei a imaginar-te tão bem.
Mas faço-te uma festa na cara quando te imagino.
Amo a forma como te costumo aperfeiçoar.
Amo a maneira como olhas para mim.
Amo quando me dizes um simples amo-te que para mim significa o mundo.
Mas és só a minha imagem.
Não te tenho, mas sabe bem este panorama visual diário.
Mas a realidade é, que a cada dia, és pior.
A cada dia que passa, entendo melhor a realidade que me envolve.
Sou a miséria sem ti.
E assim estou.
Miserável.
Quero que me ames como te amo mas não nesta imagem.
Até pode ser à tua maneira.
Mas amo-te.
Quando era pequeno perguntei à minha mãe o que era amar.
Ela disse-me que era quando olhava para o sol e sorria porque me lembrava de alguém.
Disse-me também, que quando pensasse em alguém e sentisse cada célula do meu corpo era porque amava alguém.
Se sentisse o fervor da adrenalina com o cheiro de alguém e quisesse abraçá-la tudo indicava o mesmo.
Que te amava.
Também me disse que iria sentir que me tinham levado o coração quando alguém não estava por perto ao ponto de sentir um ligeiro sufoco.
Acho que estes pormenores são comuns a cada palavra de uma mãe que nos ama mais que a vida.
Mas minha mãe poderia ter-me poupado a tudo isto se me mentisse.
Ela não me disse que poderiam não me amar quando eu amasse alguém.
E assim foi.
Agora nem tenho vontade de lhe perguntar porque me mentiu.
Sei que ela iria sofrer por eu a acusar de tal coisa.
Mesmo que eu lhe dissesse que sofro contigo sem me teres feito mal, estaria a ser muito cruel.
Não tens culpa.
És tu.
Não me apaixonei.
Pela primeira vez amei como a minha mãe um dia me pintou o que era amar.
Amar é tudo o que sinto por ti.
Amar é inexplicável.
Amar é um desespero que me corta a respiração quando te imagino.
Imagino-te a amar.
E tenho que te dizer, imaginar-te a amar é algo que me conforta.
És o dia que me preenche.
És o passado que me bloqueia.
És o presente que não move.
E no futuro... acho que te vou continuar a amar em segredo como o fiz até aqui.
És o meu segredo que só a ti contei.
Amar-te é um distúrbio confortável nesta esperança de quem espera que ames.
Mas tenho tempo.
Sei que não vou amar mais ninguém.
A minha mãe por fim disse que amar é eterno.
Por isso, vou esperar para ver se me queres amar.
Amo-te imaginação que me aquece a alma fria.
Escondo a cara quando me falam de ti.
Finjo outra cara quando minto e digo que já nem tou a ver quem és.
Mas a verdadeira cara só eu sei como é.
Fico feio e disforme.
Pareço aquele criança que perguntou o que era amar à sua mãe.
Já nem pareço quem conheces.
De cara escondida, vou-te imaginando.


escrito por Pedro Monteiro