Sunday, January 01, 2006

Separado pelo tempo de ti



Inesperadamente sigo um raio de confusão que me percorre o sangue que me corre nas veias.
Sigo-o e o limite é o coração.
Sinto-o fraco demais para irrigar mais solidão ao meu corpo que tropeça em cada empurrão dado pela surpresa de uma decisão.

E expiro...
Volto as costas à mentira quando me lembro quem sou perto de ti.

E de novo inspiro,
Rasgo os olhos, esboço um sorriso pintado a carvão pela insegurança e enfrento com uma nova máscara as minhas perguntas fatais que me fazem retornar às dúvidas.

Na paisagem tranquila de um sonho que quero sonhar, mas só me lembro, refugiei-me.

Quero aquecer as minhas mãos enrugadas e geladas de limpar lágrimas pesadas de ausência tua.

E uma estrela cadente que se move na voz de desejos comuns brilha no teu céu e no meu, encosto-me neste fogo e observo as constelações que tanto ansiei que me ensinasses.

E quero estar ali por um período de tempo indeterminado.
Quero ficar nesta canção de embalar que me acalma o corpo de tremer de medos e falhas de memória de como fui e como não sou o que quis tanto ser...

Em cada sentido meu a minha memória separa-se do meu esquecimento de um dia em que fui senhor do teu mar replecto de histórias tuas e minhas e de nós os dois...

O meu sentimento de solidão deitou-se com a carência e adormeceram.
E acordei...
Abri os olhos e só vi escuridão.

Já não sou uma estrela que encanta numa suave melodia o teu caminho seguro de beleza sombriamente encantadora.

Já só estou eu...

No escuro separado pelo tempo de ti.

Tu que um dia sonhaste um diferente presente junto da minha alma que agora está cheia de pureza quando te quer alcançar para fundir-se com o teu corpo como se fossem o único ser...




escrito por Pedro Monteiro

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